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  1. Ronaldo e Edilson são os pais de Letícia, de 16 anos, e Alan, de 13 anos. Primeiro encontro de Ronaldo e Edilson com Letícia e Alan. Arquivo pessoal/ Edilson Lins Ronaldo João Regis Filho, de 42 anos, e Edilson Lins Cavalcante, de 38 anos, se conheceram há cinco anos e juntos realizaram o sonho de se tornarem pais. Os homens são naturais de João Pessoa, na Paraíba, e se conheceram na igreja que frequentavam. Os filhos, Letícia, de 16 anos, e Alan, de 13 anos, são a concretização do ideal de aumentar a família. Ronaldo é auxiliar de farmácia e Edilson é psicólogo. Antes de se conhecerem, eles já sonhavam em ser pais. Segundo Edilson, durante o namoro eles foram amadurecendo a ideia da paternidade. “Desde o namoro já amadurecemos essa ideia e entendemos que nossos filhos viriam por meio de uma adoção. Planejamos muito tudo isso”, contou. Para Letícia, tudo mudou quando ela conheceu os pais no abrigo. A nova família, para ela, é sinônimo de felicidade, orgulho e sonhos realizados. "No colégio, já vi pessoas me 'zuando' por ter dois pais, mas eu não ligo porque Deus está acima de tudo e não vou deixar o amor de uma família acabar por causa disso. Eu amo eles do jeitinho que eles são, cada pedacinho deles eu amo", disse a adolescente. Passo a passo da felicidade O primeiro passo para a concretização do sonho de ter um filho era ter a casa própria. Foi aí que o casal iniciou o processo de compra do apartamento em que moram e, em junho de 2018, já estavam com as chaves. Em dezembro de 2018 veio a oficialização da união de Ronaldo e Edilson. O casal não quis esperar muito e já no mês seguinte, em janeiro de 2019, deu início ao processo das etapas de adoção. O primeiro passo para adotar é a habilitação. O casal fez a solicitação em janeiro, iniciando o processo que durou sete meses e, em agosto de 2019, eles receberam a habilitação para adotar. No início, o casal tinha a ideia de adotar apenas uma criança, de 0 a 7 anos. Porém, durante o período de preparação para adoção, Ronaldo e Edilson começaram a frequentar o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção (Gead) de João Pessoa. “O engraçado é que a gente colocou no processo que queríamos adotar apenas um, mas sempre quando falávamos, dizíamos nossos filhos, dois filhos”, contou. Edilson contou que não pensavam, em nenhum momento, em adotar adolescentes. “Tínhamos medo, e na verdade, um preconceito”, disse. Família de Ronaldo e Edilson Arquivo pessoal/ Edilson Lins ‘Se você topar, eu topo!’ Letícia e Alan, que tinham 15 e 12 anos, estavam em um abrigo no Sertão de Pernambuco. O casal conheceu os jovens através da busca ativa, por meio de uma página na internet da Justiça de Pernambuco, onde os próprios adolescentes se apresentavam falando um pouco deles mesmos. Na postagem, Alan se apresentou como um garoto que gosta de fazer várias atividades esportivas, de estudar, mas que tem dificuldades e espera ser ajudado por uma nova família. Ele também deixou claro que gostaria de uma família, e que não se importava se essa família seria formada por uma união entre duas pessoas de sexos diferentes ou iguais, ou se por uma pessoa só. Já Letícia se apresentou como uma menina estudiosa, que sonha em ser policial ou médica. Ela também disse querer retribuir o amor da nova família se tornando uma grande profissional. Após ver a publicação, o casal mudou imediatamente o perfil de criança para adoção. Na verdade, eles já tinham decidido que Alan e Letícia eram os seus filhos. “Meu esposo e eu estávamos em locais diferentes quando vimos a publicação, e parece que vimos na mesma hora. Ele tirou um print para enviar para mim e eu tinha acabado de ler”, contou Edilson. Foi aí que eles tiveram que tomar a decisão de mudar o perfil de adoção para até 15 anos, pois era a idade de Letícia. “Se você topar, eu topo!”, foi o que Edilson propôs a Ronaldo, que apesar de preocupado por serem dois, concordou. 'Já pode chamar vocês de pai?' Antes do primeiro encontro, Edilson e Ronaldo mantiveram contato com os adolescentes por meio de uma rede social para se conhecerem um pouco mais. Edilson conta que antes mesmo de conhecer os jovens pessoalmente eles foram pegos de surpresa por uma pergunta de Letícia. A menina enviou uma mensagem de voz que dizia: “a gente já pode chamar vocês de pai?”, questionou a menina. Eles, sem pensar duas vezes, responderam que sim. “Isso nos ‘quebrou’ inteiros e já começamos a chorar dizendo que sim, eles poderiam”. "A gente já pode chamar vocês de pai?", Perguntou Letícia ao casal Arquivo pessoal/ Edilson Lins ‘Reconhecemos nossos filhos’ Dois dias depois de ver a publicação, o casal já marcou a visita para conhecer os irmãos. Para os pais, esse foi um dos momentos mais marcantes de suas vidas. “Foi indizível porque quando vimos os meninos, reconhecemos nossos filhos”, disse. Pais encontram filhos, Alan e Letícia, pela primeira vez, na Paraíba Segundo os pais, não é comum, nem obrigado que essa sensação aconteça no momento do encontro. “Foi muito choro, pois, tanto eles, quanto a gente, sabíamos que já éramos uma família”. As imagens mostram uma família que se ama e que acabou de se reencontrar. Talvez não exista explicação para que fatos como esse aconteçam, mas aconteceu. Em outubro de 2019, pais e filhos já estavam morando juntos em João Pessoa. Ronaldo e Alan gostam de cozinhar para a família Arquivo pessoal/Edilson Lins Vida nova A felicidade da família de Letícia e Alan pode ser percebida facilmente no dia-a-dia. Alan gosta de fazer comidas gostosas com Ronaldo. Pai e filho passam horas na cozinha preparando receitas especiais. Letícia gosta de demonstrar amor fazendo surpresas para os pais, e eles amam. “Alan é travesso, amoroso, engenhoso. Gosta de criar coisas. Monta e desmonta o que você puder imaginar. Letícia é romântica. Adora fazer surpresas, dedicada, expressa muito amor”, contou. A forma com que Edilson descreve os jovens não permite dúvidas: é um pai orgulhoso e apaixonado pelos seus filhos. Não demora muito para quem ouve se apaixonar por eles também. Na verdade, por toda a família. Os dias do casal são corridos e, durante a pandemia do coronavírus, a correria aumentou, já que os dois são profissionais de saúde e trabalham em um hospital de João Pessoa. “Mesmo na pandemia, não pudemos ficar em casa”, disse Edilson. Nos momentos em que estão em casa, pais e filhos gostam de fazer as refeições juntos, de assistir filmes e, agora, com o distanciamento social, mais uma missão: as aulas remotas. Por causa da pandemia, as aulas estão sendo on-line e os pais ajudam com as matérias. Para eles, é uma difícil tarefa, que requer tempo e dedicação. Mas, que está sendo feita. Eles também participam de uma igreja e agora assistem aos cultos e fazem outras atividades por meio da internet. Mais um momento em família que eles gostam de partilhar. Os pais têm auxiliado os jovens durante aulas remotas Edilson Lins/Arquivo pessoal Adoção na Paraíba A escolha de Edilson e Ronaldo não corresponde a da maioria dos pretendentes (pessoas que desejam adotar). De acordo com os dados colhidos no Sistema Nacional da Adoção e Acolhimento (SNA), atualmente o perfil mais procurado na Paraíba está na faixa etária de crianças de 0 a 3 anos, do sexo feminino. Segundo o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Adhailton Lacet Porto, nos cursos de adoção, que são requisito indispensável para quem quer adotar, está sendo trabalhado o que se chama de "adoção tardia”. “Chamam de adoção tardia, mas nós chamamos de adoção necessária, que é aquela de crianças com mais idade”, explicou. Conforme os dados da Vara da Infância e Juventude em 6 de agosto, a Paraíba conta com 308 crianças e adolescentes acolhidos e 44 crianças e adolescentes disponíveis para adoção. Destes, 12 já estão vinculados a pretendentes. 33 crianças e adolescentes estão em processo de adoção e existem 485 pretendentes disponíveis. Família de Alan e Letícia Arquivo pessoal / Edilson Lins Ser pai é... Apesar de nem sempre acontecer dessa forma, os pais Ronaldo e Edilson têm enfrentado todos os desafios que pais devem, ou pelo menos, deveriam enfrentar. “Todos os dias somos desafiados pelo amor condicional. É uma experiência rica de emoções, às vezes muito fáceis, outras mais exigentes, mas sempre reconhecendo eles como parte de nós. Muitas vezes dizemos: realmente são os nossos“, relatou o pai. De acordo com Ronaldo, ser pai é, também, uma responsabilidade com as necessidades do filho. “Esse dom nos traz o desejo de cuidar de alguém que será nosso o resto da vida. É muitas vezes deixar o seu desejo do lado pra atender o desejo de seu filho”. Ronaldo também define que ser pai é estar presente e perto. “É uma missão cheia de dificuldades, mas cheias de alegrias. Só em ver o sorriso deles por algum coisa que fizemos, é muito satisfatório”, disse. Já Edilson define a paternidade como o ato de “esvaziar-se de si em prol do outro”. Ele conta, emocionado, que ser pai é “esquecer do eu, para pensar no nós”. A família de Edilson, Ronaldo, Letícia e Alan é uma família que tem dificuldades, desafios, momentos difíceis, mas que tem dedicação, responsabilidade e amor. Características que estão presentes desde o encontro das vidas de Edilson e Ronaldo, até o momento de reconhecimento de seus filhos, Letícia e Alan. *Sob supervisão de Krys Carneiro

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  3. Estado está com 86% dos municípios na bandeira amarela. Cursos superiores da área de saúde em fase de conclusão de curso poderão retomar atividades. Alunos de escolas municipais de Cabedelo, PB, terão atividades remotas a partir de 1º de junho TV Cabo Branco/Reprodução Neste sábado (8) foi divulgada a 5ª avaliação da situação pandêmica do estado e o Plano Novo Normal para a Paraíba, que tem 191 municípios na bandeira amarela, correspondendo a 86% de todo o estado. João Pessoa, Campina Grande, Patos e Guarabira estão inclusas nesse percentual. Com isso, uma nova recomendação foi feita em relação às atividades educativas. Na 4ª avaliação, 83% dos municípios estavam na bandeira amarela. Nessa 5ª avaliação, houve um pequeno crescimento, e as cidades que já estavam nesta condição permaneceram. A bandeira laranja permaneceu estável com 10% dos municípios, enquanto a bandeira verde regrediu de 7% para 4% das cidades paraibanas. A Secretaria do Estado de Saúde da Paraíba (SES/PB) afirmou que as medidas protetivas mais eficazes são o uso ostensivo de máscara, a lavagem das mãos e a manutenção do distanciamento social. A Nota também traz alterações no funcionamento de bares, restaurantes e academias nos municípios com bandeira amarela, que passam a funcionar, observada a adoção de novos protocolos. A SES divulgou ainda uma Nota Técnica sobre as atividades educacionais de forma presencial, recomendando que não sejam retomadas qualquer espécie de atividades de ensino regular nesse momento. Só na Paraíba, as análises das matrículas realizadas nas redes públicas estaduais e municipais, da educação infantil ao básico, reúnem mais de 575.000 estudantes. As atividades educacionais, ainda que de forma lenta e gradual e mesmo que realizada com menores frequências semanais de aulas presenciais certamente mobilizará contingentes significativos de pessoas, o que pode facilitar a contaminação por coronavírus nos ambientes escolares. A nota também destaca que é pertinente propor que até que se concluam estudos populacionais promovidos pelas Secretarias de Estado da Saúde e da Educação (já em andamento), que reúnam níveis de acurácia aceitáveis para projeção e análise da prevalência e da incidência da Covid-19 no Estado da Paraíba, não sejam retomadas qualquer espécie de atividades de ensino regular. Propõe-se também que, desde já, sejam construídas e disponibilizadas recomendações preparatórias para retomada lenta e gradual das atividades educacionais presenciais, a serem aplicadas assim que as análises citadas estejam disponíveis e apontem níveis de segurança, que permitam tais retomadas. Mesmo os municípios em bandeira verde não devem retomar nenhum tipo de atividade nas escolas. Somente os cursos de níveis superior da área de saúde, em fase de conclusão (últimos 4 semestres do cursos de medicina e últimos 2 semestres dos demais cursos), podem retornar as atividades cumprindo normas sanitárias.

  4. Novo decreto será publicado segunda-feira (10). Bananeiras é uma das cidades que estão explorando a Economia Criativa para atrair turistas. Arquivo Sebrae O município de Bananeiras vai retomar, gradualmente, as atividades econômicas e comerciais a partir de segunda-feira (12), segundo informou a prefeitura da cidade do Brejo paraibano. Bares e restaurantes também voltarão a funcionar. Até lá, os estabelecimentos deverão se adequar às normas sanitárias estabelecidas em protocolo e também passarão por fiscalização da Vigilância Sanitária. Para retornar às atividades, os donos de hotéis, bares e restaurantes já foram testados para coronavírus pela prefeitura. As regras de flexibilização só serão publicadas na próxima segunda-feira, em um novo decreto. Os hotéis e pousadas da cidade voltaram a funcionar no dia 27 de julho, também de forma gradual. Para a retomada do setor turístico, a prefeitura estabeleceu um protocolo com regras sanitárias, que determina a obrigatoriedade do uso de máscaras e protetores faciais, além da ocupação máxima de 50% da capacidade dos estabelecimentos. Os guias turísticos estão conduzindo somente grupos de 10 pessoas e os ônibus para turismo estão proibidos. O objetivo das medidas é evitar aglomerações e reduzir a possibilidade de contágio do coronavírus.

  5. Criança de 8 anos deu entrada em hospital e perdeu muito sangue. Material apreendido no local onde criança foi atingida por tiro acidental, em Santa Rita, PB Polícia Militar/divulgação Uma criança de 8 anos deu entrada no Hospital de Santa Rita, na Grande João Pessoa, ferida por um tiro na perna. A Polícia foi acionada à casa onde o fato ocorreu, no bairro de Tibiri, e constatou que se tratou de um tiro acidental, disparado pelo irmão da menina, de 11 anos de idade. Ao fazer uma averiguação mais minuciosa no local, foi encontrada e apreendida uma quantidade de drogas, dois coletes à prova de balas, duas pistolas, um revolver, sete carregadores e 654 munições de vários calibres As crianças não têm grau de parentesco com o dono do material, mas são sobrinhos da companheira dele, que está grávida e escondia boa parte do material apreendido. O homem é suspeito de tráfico de drogas e fugiu do local antes da chegada da polícia. A criança não corre risco de morrer, mas, devido ao ferimento, perdeu muito sangue e foi transferida para o Hospital de Trauma de João Pessoa para receber sangue.

  6. Paraíba tem 89.893 casos confirmados e 1.983 mortes por coronavírus. São 776 casos e 18 mortes confirmadas neste sábado (8). Casos de coronavírus na Paraíba em 8 de agosto Divulgação/Secom-JP A Paraíba tem 89.893 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgadas neste sábado (8). O número de mortes confirmadas por Covid-19 subiu para 1.983 no estado desde o início da pandemia. Já são 221 cidades da Paraíba com casos registrados da doença. Veja em que estados as mortes por Covid-19 estão subindo, em estabilidade ou em queda Foram registradas mais 18 mortes em decorrência do coronavírus desde o último boletim: Homem de 77 anos, residente em São José do Rio do Peixe, hipertenso; Homem de 80 anos, residente em Diamante, cardiopata; Mulher de 81 anos, residente em Queimadas, sem histórico de doenças; Homem de 40 anos, residente em Uiraúna, sem histórico de doenças; Mulher de 58 anos, residente em Gurinhém, obesa e diabética; Homem de 63 anos, residente em Sapé, sem histórico de doenças; Homem de 68 anos, residente em João Pessoa, hipertenso; Homem de 76 anos, residente em Bayeux, hipertenso, diabético e cardiopata; Homem de 78 anos, residente em Santa Teresinha, sem histórico de doenças; Mulher de 79 anos, residente em Sousa, cardiopata e diabética; Homem de 84 anos, residente em Pedras de Fogo, sem histórico de doenças; Mulher de 62 anos, residente em João Pessoa, com doença neurológica; Mulher de 64 anos, residente em João Pessoa, hipertensa, diabética e obesa; Mulher de 89 anos, residente em Juripiranga, hipertensa e com doença respiratória; Homem de 61 anos, residente em João Pessoa, diabético; Homem de 81 anos, residente em Campina Grande, sem histórico de doenças; Homem de 75 anos, residente em João Pessoa, sem histórico de doenças; Homem de 74 anos, residente em Jacaraú, diabético. A ocupação de leitos de UTI em todo o estado é de 47%. Na região metropolitana de João Pessoa, 50% dos leitos de UTI para adultos estão ocupados. Em Campina Grande, o mesmo setor tem taxa de 38%. No Sertão, 67% dos leitos de UTI estão ocupados. Nas últimas 24 horas, apenas 34,9% da população seguiu a recomendação de isolamento social no estado. De acordo com a SES, pelo menos 260.603 testes para detecção do novo coronavírus foram realizados em pacientes na Paraíba, desde o início da pandemia. Boletim do coronavírus na Paraíba 89.893 casos confirmados 1.983 mortes 43.682 recuperados 221 cidades Initial plugin text 221 cidade Cidades com casos confirmados e mortes por Covid-19 na Paraíba Saiba o que fazer se apresentar sintomas de contaminação na Paraíba Curva de contágio: evolução de casos confirmados, mortes, gráficos e dados Como ficam os serviços na Paraíba após medidas para conter a pandemia

  7. Estudo revelou que a maior parte da população LGBQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Queers) sofre frequentemente microagressões devido à sexualidade. Estudo da UFPB diz que maioria dos LGBQs sofre microagressões frequentemente Divulgação Um estudo de pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Comportamento Político da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) revelou que a maior parte da população LGBQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Queers) sofre frequentemente microagressões devido à sexualidade. De acordo com os pesquisadores da Pós-Graduação em Psicologia Social da UFPB, Allysson Dantas, Tátila Brito, Camilla Figueiredo e o professor Cicero Pereira, foram analisadas respostas de 519 pessoas à Escala de Microagressões frente à Orientação Sexual (EMOS). “É um instrumento psicológico composto por 24 questões. Foi desenvolvido inicialmente por pesquisadores estadunidenses com o objetivo de avaliar a percepção de pessoas LGBQs (lésbicas, gays, bissexuais e queers) sobre microagressões vivenciadas em decorrência da orientação sexual”, explicou o pesquisador Allysson Dantas. De acordo com o pesquisador da UFPB, a ferramenta EMOS tem sido utilizada em diversos lugares do mundo e busca apreender situações de discriminação “sutil” vivenciadas no cotidiano por pessoas lésbicas, gays, bissexuais e queers. “As microagressões correspondem a situações corriqueiras. Podem se manifestar verbalmente (insultos) ou não verbal (representação de pessoas LGBQs em jornais e revistas), ser intencionais ou inconscientes. Ocorrem automaticamente. São ações que revelam o desprezo, a hostilidade, a depreciação ou discriminação devido à orientação sexual”, conta Allysson. O pesquisador também informou que o questionário inclui o uso de termos em relação a posturas “heterossexista e homofóbica”, que são ações sobre comportamentos heteronormativos e de gênero e que a escala distingue dados a respeito da desaprovação de vivências LGBTQs, a negação do heterossexismo como uma realidade e a suposição de que a homossexualidade corresponde a uma patologia ou desvio sexual. “Esses aspectos foram investigados através de dois estudos empíricos. Foram realizados entre junho e julho deste ano. Tivemos a participação de 519 brasileiros, autodeclarados gays, lésbicas, bissexuais ou queers, com faixa etária entre 18 e 65 anos, em sua maioria homens (56,5%)”, disse. Os participantes responderam a frequência com que tinham vivenciado microagressões relacionadas à orientação sexual. A variação da frequência foi observada em uma escala que variava de 0 (nunca ter vivenciado aquela situação) a 3 (ter vivenciado aquela situação muitas vezes). “No geral, a frequência média de microagressões vivenciadas pelos participantes foi de 2,42. Isso significa que a maior parte das 519 pessoas assumiu ter sofrido microagressões de forma frequente durante a sua vida”, destaca Allysson. Ao realizar as análises, os pesquisadores da UFPB verificaram ainda a associação entre as vivências de microagressões, o estresse relacionado à orientação sexual e a autoestima da população LGBQ brasileira. Allysson Dantas cita que a equipe da UFPB verificou a adequação teórica da ferramenta EMOS para o uso em amostras brasileiras. Além de constatar a precisão do instrumento em avaliar microagressões frente à orientação sexual. “Os itens da EMOS retratam determinadas situações de microagressões, como ter ouvido ‘isto é tão gay’, quando alguém estava falando sobre algo negativo, ou ter recebido um conselho para agir de modo mais ‘masculino’ ou ‘feminino’. A escala EMOS é uma ferramenta válida, precisa e de fácil aplicação”, reforça Allysson. De acordo com a UFPB, com o desenvolvimento de estudos por meio da ferramenta EMOS, será possível avaliar e obter dados para denunciar e amenizar o impacto das microagressões na vida e na saúde da população LGBQ brasileira.

  8. Atendimento inicial de pacientes com suspeita de Covid-19 passa a ser feito no Hospital Pedro I. Atendimentos de casos suspeitos de coronavírus mudam para o Hospital Pedro I, em Campina Grande Reprodução/TV Paraíba O atendimento inicial de casos suspeitos de coronavírus em Campina Grande deixará de ser feito na Unidade de Pronto Atendimento do Alto Branco e passa a acontecer no Hospital Municipal Pedro I a partir do dia 17 de agosto. Segundo a Secretaria de Saúde de Campina Grande, a mudança acontece para centralizar o atendimento aos pacientes suspeitos ou com diagnóstico positivo para Covid-19 em uma unidade unidade hospitalar, e só é possível em virtude da redução do número de atendimentos tanto na UPA quanto no Pedro I. A Unidade Saúde volta a fazer os atendimentos rotineiros de clínica médica geral, pediatria, oftalmologia, ortopedia e outras especialidades. Após a mudança, a UPA fará um processo de transição, para não deixar de atender a população que procurar a unidade em caso de suspeita. Essa transição acontece até o fim do mês de agosto, mas a partir do dia 17, a orientação é que as pessoas com sintomas iniciais passem a procurar o Pedro I.

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  10. Doença causada pelo vírus influenza chegou à capital paraibana em trens e navios. Historiador paraibano afirma que doença infectou pelo menos 5,4 mil paraibanos em 1918. O jornal que mais trouxe denúncias e problemas sobre a Gripe Espanhola na Paraíba pertencia à Igreja Católica Azemar Júnior/Arquivo Pessoal Jornais e documentos do início do Século XX mostram que o novo coronavírus não foi o primeiro responsável por uma pandemia que aportou na Paraíba e acometeu milhares de paraibanos. Mais de um século antes de março de 2020, mês do primeiro caso oficial da Covid-19 no estado, em meados de outubro de 1918, chegava à Paraíba por meio das linhas férreas pernambucanas e dos navios que atracavam ao antigo Porto do Capim o influenza H1N1, o vírus da Gripe Espanhola. Embora o lapso de mais de 100 anos reserve inúmeras distinções, muito do que foi vivido pelos paraibanos com a gripe vinda da Espanha tem sido revivido, de certa maneira, pela população com o dito vírus chinês. O negacionismo perante a gravidade da disseminação da doença, a politização do vírus e até mesmo a profusão de remédios milagrosos, quase mágicos, são alguma das semelhanças que abrem uma fenda no tempo e ligam os dois períodos. Parecidos nos reflexos sociais, impossíveis de comparar em letalidade. A sofisticação dos mecanismos de monitoramento do coronavírus a partir de todos os dispositivos tecnológicos a serviço da medicina e da própria sociedade permite um retrato, senão fiel, mas muito aproximado em número de casos e mortes decorrentes da Covid-19. Quase 90 mil pessoas contraíram o coronavírus e outras quase 2 mil perderam a vida por conta do Sars-Cov-2 na Paraíba até este 8 de agosto. Sem uma ferramenta que ajudasse a computar dados, esbarrando na falta de capacidade técnica do poder público, até mesmo de interesse dos governantes em omitir a realidade, os casos de infectados e mortos pela influenza espanhola, causada pelo vírus H1N1, na Paraíba se perderam no tempo em grande parte. O mais perto de um número oficial de doentes da “espanhola” no estado foi alcançado pelo professor paraibano Azemar dos Santos Soares Júnior, docente do curso de história na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Não é possível fazer um levantamento do número de infectados, nem do número de mortos. Acredito que devido à necessidade do governo de Camilo de Holanda não publicar as diversas falhas na adoção de medidas contra a epidemia, bem como, o baixo número de profissionais médicos, esses dados não foram publicados. Soma-se a isso, o alto índice de pessoas infectadas, fazendo com que o registro do número de enfermos não fosse mais possível de ser anotado e acompanhado”, comentou Azemar. Na pesquisa feita por Azemar Júnior, somando os relatos feitos no jornal A Imprensa, que na época era o veículo oficial de informação da Igreja Católica na Paraíba, o estado chegou a ter oficialmente pelo menos 5.479 pessoas acometidas pela influenza espanhola. A estatística foi alcançada a partir da coleta de nomes nas listas feitas pela Arquidiocese da Paraíba de pessoas pobres que precisavam de auxílio por estarem com a gripe espanhola. Gripe espanhola, maior pandemia do século 20, matou 50 milhões de pessoas no mundo todo Não há um número preciso de mortes na Paraíba, no Brasil estima-se que pelo menos 35 mil pessoas morrem por conta do vírus influenza H1N1. Embora uma estimativa seja impossível de ser feita nesta altura, o professor Azemar dos Santos Soares Júnior explica que na época os cemitérios da capital paraibana passaram por transtornos para lidar com o aumento momentâneo de mortos. “Quanto às mortes, me deparei com poucas notícias sobre os enterramentos realizados no Cemitério Senhor da Boa Sentença: nos dias 9, 11 e 23 de novembro [de 1918] foram sepultadas 48 pessoas vítimas de influenza espanhola”, explica o professor. O empobrecimento da população, que assolava a sociedade paraibana na época em sua maioria, e a falta de instrução, de educação, agravadas pela dificuldade da circulação das informações, prejudicaram a adoção de medidas preventivas básicas. Recomendações como redobrar os cuidados com a higiene pessoal ou o uso de máscaras, circulavam em menor quantidade na Parahyba de 1918. “Não há relatos de uso de máscaras. O que circulavam nos jornais eram anúncios de medicamentos que salvariam até a alma do doente! Os xaropes ganharam as páginas dos jornais e revistas. Fórmulas milagrosas eram oferecidas e vendidas nas farmácias mais próximas. Não tivemos relatos de resistência ao uso de máscaras, ao menos não foi publicado na imprensa. O difícil era, como é em 2020, manter a população dentro de casa”, explicou. Qualquer semelhança com a nossa pandemia contemporânea não é mera coincidência. A propaganda de fármacos usados em outras doenças, desde malária ao tratamento de verminoses, inclusive partindo de prescrição médica, substâncias sem eficácia comprovada contra o coronavírus, é a versão atual das fórmulas milagrosas para uma doença que ainda se sabe pouco. O secretário executivo de Gestão da Rede de Unidades de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba, Daniel Beltrammi, comenta que o curandeirismo, como pode ser chamada a prática de administrar substância sem qualquer certeza científica de eficácia, faz com que as pessoas no mais absoluto desespero tentem lançar mão de saídas, especialmente saídas mais cômodas e mais fáceis em períodos de pandemia. A Gripe espanhola obrigou que as pessoas adotassem o uso de máscaras, assim como acontece na pandemia do novo coronavírus Reprodução/TV Globo “Os emplastros, as soluções, as medidas ‘coca-cola’, porque a Coca-Cola também chegou a ser na história um emplastro, as balas de prata, as soluções definitivas, a salvação da lavoura, isso é muito natural da espécie humana especialmente quando ela se encontra emparedada tentando sobreviver a mecanismos de seleção natural, como por exemplo quando um microorganismo se apresente como se apresenta o coronavírus”, explica. Curiosamente, nos dois períodos os governantes adotaram planos de emergência com ações semelhantes. A política de isolamento social, tão criticada durante a pandemia do novo coronavírus, foi uma das medidas implementadas na Paraíba, de acordo com o professor de história da UFRN. Na Paraíba, durante a Gripe Espanhola, era realizado o registro do doente pelos funcionários médicos ou fiscais da saúde. À época pelo Serviço de Higiene a primeira etapa foi a convocação de mais médicos, farmacêuticos e enfermeiros para travar guerra contra a epidemia. A segunda etapa consistiu em orientar a população a ficar em casa evitando sair às ruas sob a vigilância de um fiscal que todos os dias era responsável por passar na frente das casas e exigir que as pessoas se apresentassem na janela, realizando a conferência de cada um dos moradores. Em caso de algum membro da família não aparecer, significava que estava doente ou mesmo morto, fazendo com que esses fossem levados para o isolamento hospitalar ou para o cemitério. Essa fiscalização deveria acontecer de forma diária. Todos os dias os fiscais eram responsáveis por fazer as anotações e entregar ao Serviço de Higiene em forma de relatório. Por fim, a orientação de que as casas deveriam ser desinfetadas. “Esse modelo [de isolamento social] é bastante antigo, pois foi criado na Idade Média e faz parte da configuração da medicina urbana, tanto que era ainda no começo do vigésimo século se adequando à realidade de casa, cidade ou estado. No documento, essas foram as medidas adotadas, porém na capital, faltavam médicos, farmacêuticos ou mesmo fiscais contratados”, conta Azemar Júnior. A população da capital paraibana no período girava em torno de 52 mil habitantes, fato que dificultava ainda mais esse trabalho previsto no plano emergencial pensado pelos gestores públicos da época. A população de rua era muito grande e havia um fluxo intenso de pessoas indo e voltando do interior do estado, outras dinâmicas sociais que aumentavam ainda mais a gravidade do problema. O historiador explicou que há registro de que lojas foram fechadas, não porque o comércio foi obrigado a baixar suas portas, mas porque seus funcionários adoeceram não tendo assim condições de manter o funcionamento ativo. Dessa forma, ficou claro que a circulação de pessoas intensificava a propagação da doença. Anúncios de remédios para os sintomas da Gripe Espanhola eram comuns nos jornais da época da Paraíba Azemar Júnior/Arquivo Pessoal O poder público na Paraíba fechou, em outubro de 1918, a biblioteca pública e suspendeu as aulas nas escolas da capital paraibana. As igrejas católicas e protestantes foram submetidas a uma espécie de quarentena: os atos religiosos só poderiam acontecer pela manhã e não podiam ser demorados. Os templos deveriam ser desinfetados diariamente como medida sanitária. As festas dos padroeiros, tradicionais no estado, no interior sobretudo, também foram proibidas no período. “Assim também aconteceu com quaisquer formas de aglomeração de pessoas: espaços de diversões como teatros, jogos de 'foot-ball', encontros de sociedades recreativas, etc. Em caso de desobediência, cabia a Chefatura de Polícia aplicar a lei. As escolas privadas também fecharam suas portas: o Colégio Pio X, por exemplo, adiantou o encerramento do ano letivo para o mês de outubro como medida profilática contra a influenza”, relata Azemar Júnior. A influenza, assim como o coronavírus, perdurou por meses afetando a dinâmica social na Parahyba, se interiorizou com o passar do tempo, movimento semelhante ao que ocorre com o Sars-Cov-2 atualmente. Os registros feitos pelo professor Azemar Júnior indicam que após a chegada no fim do mês de setembro de 1918 na capital paraibana, a Gripe Espanhola só viria a ser noticiada como deixando o estado em fevereiro de 1919, na notícia de curados da doença na cidade de Catolé do Rocha, a 411 km de João Pessoa. “É possível afirmar que na capital a epidemia irrompeu no mês de outubro e declinou em dezembro. Os últimos registros da influenza espanhola no estado se deu no ano de 1919. Após ser considerada vencida na capital do estado, a doença ganhou outras geografias chegando a cidades do interior e alto sertão paraibano”, explicou o professor da UFRN. A Covid-19 aportou na Paraíba em março e desde então, já se vão cinco meses de reflexos da doença na economia, na rotina, nas relações pessoais no estado. Um estudo feito pelo grupo de pesquisa Observatório de Síndromes Respiratórias da UFPB, publicado em julho, tomando como base os números da doença até 11 de julho, indicava que a pandemia deveria chegar ao fim na Paraíba em setembro, mais precisamente no final do mês. Enquanto o fim não chega, os casos interiorizam e as pessoas parecem ter perdido o medo do vírus que matou mais de 100 mil brasileiros, quase dois mil paraibanos. A flexibilização da maioria das atividades econômicas, a resistência ao uso da máscara da forma adequada e a queda dos índices de isolamento social na Paraíba, com média de 37,7% de acordo com a plataforma In Loco, são indícios, pistas, de que se a pandemia do novo coronavírus não chegar ao fim com o cessar de casos confirmados, deve chegar ao fim enquanto problema social do imaginário coletivo. O coronavírus caminha para se igualar ao influenza, não em número de mortos ou de casos, mas em nível de relação das pessoas com vírus. Assim como o vírus da Gripe Espanhola, que segue acometendo milhares de pessoas apesar da campanha de vacinação anual pelas autoridades de saúde no Brasil, os paraibanos se mostram dispostos a conviver com o coronavírus. Letalidades O médico e infectologista, diretor do Hospital Clementino Fraga, referência no tratamento da Covid-19 em João Pessoa, Fernando Chagas, explica que se o coronavírus tivesse chegado à Paraíba no início do Século XX, provavelmente haveria a dizimação de uma parte relevante da população paraibana. O influenza vírus da gripe espanhola tem uma letalidade considerável, embora muito menor que o Sars-Cov-2. A letalidade do H1N1, família do influenza, pode chegar a 1%, entre 0,6% a 1%, enquanto a do Sars-Cov-2, a depender do país, pode chegar a 4%, 6% do total, de acordo com Fernando Chagas. Outra característica do influenza é de que é um vírus que tem uma capacidade de transmissão menor do que o Sars-Cov-2, mas que é transmitido pela mesma via, que é a respiratória e do toque. Conheça semelhanças entre a gripe espanhola e a pandemia de Covid-19 “Naquele período [da Gripe Espanhola] os cuidados com a higiene pessoal eram muito precários, a situação sanitária da população era muito precária. Era mais fácil o contágio por conta disso, por conta dessa fragilidade. E quando alguém adoecia, não existia o suporte que nós temos hoje, com medicamentos, com hidratação, leito de UTI, portanto pegar um vírus desse, se a pessoa tivesse comorbidades, era praticamente uma sentença de morte”, comenta o infectologista. Ele ressalta que a Covid-19 naquela época devastaria cinco ou seis vezes mais do que a gripe espanhola. “Você imagina 5% da população exposta evoluindo para morte, aliás, a gente considera que sem UTI, esse percentual aumenta substancialmente, então você imagina 10%, até 15% dependendo das populações, das pessoas que adoecem evoluindo para a morte. É um valor absurdo”, explica o infectologista. O crescimento exponencial de casos, como por exemplo em uma casa com cinco pessoas doentes ao mesmo tempo evoluindo para uma forma grave e somente uma pessoa cuidando, não teria condições de dar conta dos cinco ao mesmo tempo. O médico ou o cuidador teria que escolher um ou dois para dar uma assistência maior, praticamente selando o destino dos demais em estado grave. Fernando Chagas reafirma que a “grande característica da Covid-19 é a capacidade que ela tem de adoecer todos ao mesmo tempo, colocar todo mundo na fila da UTI ou de levar, naquela época, todo mundo a óbito. Acredito que teriam até problemas com o que fazer com tantos corpos”. Doença de pobres Embora hajam intersecções entre as duas pandemias, fatos em comum, há uma outra série de distinções. A Gripe Espanhola teve seu início em uma camada social diferente da Covid-19 na Paraíba. Enquanto a doença causada pelo coronavírus atinge em um primeiro momento pessoas com melhores condições financeiras, o influenza acometeu em sua maioria pessoas das classes sociais menos favorecidas. O reflexo dessa diferença pode ser visto nos registros dos jornais do início do Século XX, quando tratavam a “espanhola” como uma doença de pobres e para pobres. Porém, vários foram os casos também entre os mais ricos, é o que ressalta o professor Azemar Júnior. “Não quer dizer que os ricos não foram infectados, apenas que devido ao fato de a população carente estar mais vulnerável, por ser a população que tinha que sair para trabalhar todos os dias em fábricas, no comércio, nas repartições públicas, ou mesmo a perambular pelas ruas, acabaram por se infectar”, explica. Na cidade de Parahyba, como era chamada a capital do estado, os bairros de Jaguaribe e as localidades de Bombardeio e Barreiras registravam os maiores quantitativos de doentes pelo vírus influenza. O antigo centro comercial, localizado no Varadouro, também foi violentamente atacado, de acordo com o professor da UFRN, sobretudo por ser a porta de entrada da cidade, seja pelo porto ou pela estação de trens da Great Western. Jornais da época reportavam os comportamentos de isolamento social da Paraíba do início do Século XX Azemar Júnior/Arquivo Pessoal As pessoas mais pobres estavam muito mais suscetíveis aos vírus porque as condições de higiene da população eram bastante precárias, de acordo com o pesquisador. Além desse problema, o estado também carecia de hospitais de qualidade, de equipamentos que pudessem ajudar no tratamento dos doentes “influenzados”, a demanda acabou se tornando muito alta e os médicos não tinham como cuidar de todos os enfermos. “Há registros nos jornais de que o Serviço de Higiene padecia à míngua de atenção dos poderes públicos. Faltavam médicos e demais profissionais da saúde. Os poucos hospitais que existiam na capital não foram suficientes para as demandas. Primeiro porque eles atendiam a princípio as pessoas mais ricas”, comentou o professor paraibano Azemar Júnior da UFRN. Ele reforça que não houve registros da criação de hospitais de campanha no período da Gripe Espanhola, método adotado para tratar a Covid-19 e reforçar o número de leitos. O professor da UFRN e autor do livro Corpos Hígidos, que traz a história das doenças na Paraíba entre 1912 e 1924, Azemar Júnior relata que a principal medida adotada pelo poder público foi a distribuição de medicamentos. O governo em 1918 e 1919 autorizou que farmácias distribuíssem aos doentes medicamentos responsáveis por amenizar os sintomas da doença. “Os jornais publicavam listas de farmácias que faziam esse serviço pago pelo governo estadual. Não encontrei registros de pessoas mortas nas ruas, mas encontrei notícias de mendigos e retirantes que vagavam pelas ruas doentes da gripe”, comentou. Políticas por trás do vírus Como se não bastassem os efeitos do coronavírus nas políticas de saúde, as consequências naturais de uma pandemia, o Brasil tem passado por um debate político, ideologizado, em torno do coronavírus. O secretário executivo de Gestão da Rede de Unidades de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba, Daniel Beltrammi, comenta que o combate ao vírus neste momento reserva uma série de desafios. Além da dificuldade imposta pelo alto grau de desigualdade social existente no Brasil, que aguda a crise entre os mais vulneráveis, como por exemplo, a taxa de letalidade do coronavírus na Paraíba é muito maior entre pessoas pardas, os gestores públicos da área de saúde enfrentam um cenário de descoordenação política por questões ideológicas. “Enfrentamos especialmente nos meses de março e de abril, e depois a subsequente negação, um ritmo de negacionismo da maior crise que o Brasil já enfrentou que não é só de ordem sanitária, de um nível federal de combate à crise, também traz um desafio para um cenário. Organizar resposta à Covid-19 neste ambiente de fatores sociais, econômicos e políticos representa um desafio difícil de ser superado e nunca antes experimentado no país”, avaliou Beltrammi. Na época da Gripe Espanhola houve uma situação parecida entre os governantes. Na Paraíba, por exemplo, no período em que esteve sob o comando de Camilo de Holanda, fez circular nos principais jornais do estado a ideia de que a doença, inicialmente, era benigna. De acordo com o pesquisador e professor da UFRN, Azemar Júnior, a narrativa construída na época foi de que apesar do alto número de infectados, ela tinha baixa mortalidade. “Essa característica ficou registrada apenas nos jornais. A realidade parecia ser outra: o quantitativo de doentes crescia dia a dia nos meses de outubro e novembro de 1918”, afirmou o professor. Na época da Gripe Espanhola as atualizações sobre a doença só eram possíveis a partir dos jornais, que divergiam na abordagem a partir dos interesses por trás das linhas editoriais, segundo explica Azemar Júnior. O jornal do estado tratava de esclarecer que o governo estava fazendo tudo que podia, enquanto o jornal da Arquidiocese da Paraíba, que se opunha ao governo na época, atacava as medidas por meio de seu periódico. “Diariamente, os jornais em circulação na capital como ‘A Imprensa’, ‘O Norte’ e ‘A União’ atuaram fortemente na divulgação de saberes e denúncias. Enquanto A União divulgava as medidas tomadas pelo governo, o jornal ‘A Imprensa’ que pertencia a Diocese da Paraíba divulgava fortes críticas à gestão de Camilo de Holanda, acusando-o de não tomar as devidas providências sanitárias sobretudo a população pobre, bem como, tratou de publicar em suas páginas as medidas de ajuda aos 'influenzados' pobres da Capital", comentou o professor e pesquisador. Na pandemia da Covid-19 a sociedade vive a era da informação, com dispositivos eletrônicos móveis com acesso à internet e consequentemente a uma gama de informações em tempo real. Porém, com tanta oferta de informação, as pessoas ainda se encontram confusas, ou desinformadas a respeito de como lidar com a pandemia. “Com a informação na palma da mão, resta saber se a informação é útil, se é de caráter civilizatório e do interesse da nação, ou se é uma informação desprovida de compromisso com a realidade, de baixo nível de utilidade para o real impacto social. Neste contexto, preocupa. Porque mesmo a comunidade especializada, como a dos profissionais de saúde, por vezes abandonam as principais premissas da ciência para se fiar, se suportar, inclusive na decisão do que recomendar aos seus pacientes”, explicou Beltrammi. A crítica do secretário da SES é pertinente e retoma a discussão da ineficácia de fármacos prescritos por médicos com base na crença de que haja algum efeito, sem respaldo científico para a prescrição. “Não há outro antídoto para esse eventuais comportamentos oportunistas do que a boa prática da política pública de saúde, do que a proteção do maior e melhor interesse público e acima de tudo transparência e disponibilidade ao diálogo”, comenta. Enquanto as vacinas ainda não são liberadas para comercialização e uso em larga escala na população, em meio a tantas incertezas sobre os rumos da doença que já matou 100 mil brasileiros em pouco mais de cinco meses, Daniel Beltrammi, que tem atuado na linha de frente do combate ao vírus na Paraíba, alerta que o momento é de cautela, de aceitar que muito pouco ainda se sabe dessa doença. “É preciso humildade, há muito o que se aprender e pouco foi consolidado. Há muito tempo o brasileiro perdeu o senso de coletividade, é preciso resgatar o espírito de nação, e uma crise sanitária pode, sim, ter um caminho para isso, tem este aprendizado. O outro importa, a atitude do outro importa”, concluiu o secretário.

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